segunda-feira, 11 de abril de 2011

Hematomas da amizade.

Desde a infância sempre fui muito ciumenta.
Eu tinha ciumes dos meus pais, dos meus irmãos e até das minhas amigas.
Aos 5 anos, eu fazia o prezinho e eu e minha família nos tornamos evangélicos. E me tornei amissíssima de uma amiga da igreja da minha mãe. Eu fazia tudo por ela. Eu a afastava de qualquer outra criança que considerasse uma ameaça à nossa amizade.
Uma tarde minha mãe me deixou na casa dela com a babá.
Nós estavamos tentando arrumar alguma coisa para comer enquanto a babá dormia. E nisso, mechendo em tudo na cosinha, a Taty, minha amiga, quebrou um prato.
A mãe da Taty era tão ou mais rigorosa que a minha mãe e sabíamos que ela iria apanhar ou no minimo pegar uma boa bronca por isso.
Ela começou a chorar com medo doque a mãe dela faria.Ajudei a juntar os cacos e colocamos numa sacola plástica. por mim teríamo jogado na lixeira da casa dela mesmo, aquela que fica na frente de nossas casas para quando os garis passarem levarem, mas a taty disse que a mãe dela olhava a lixeira.
Então dei a idéia de jogarmos no lixo de outra pessoa, mas em monte Dourado, interior do Pará onde moravamos, as pessoas se sentam na porta de casa no fim da tarde, entao seria uma missão dificíl.
Andamos por perto da casa dela mesmo procurando, foi quando entramos nos fundos de uma casa que parecia desocupada,  avistamos uma piscina seca, eu achei que era o lugar perfeito, entao peguei a sacola e fui até lá, quando cheguei na beirada da piscina uma mulher na janela me gritava:
O que que vc's estão fazendo aí suas molecas?!
Nós saímos correndo com a sacola com o prato quebrado na mão e morrendo de medo!
Fomos em outra casa, e na hora que eu ia entrando pelo quintal um cachorro me aparece latindo e correndo atras de nós e lá fomos nós correndo de novo.
Já estavamos cançadas, então ficamos sentadas no jardim da casa dela pensando em da um fim na "prova do crime".
Então eu disse: Vamos amarrar essa sacola lá em cima do pé de manga, bem alto!
A Taty não estava em condições de ter uma idéia melhor, e como eu era a mentora de tudo ela deixou por minha conta.
Eu subi na mangueira o mais alto que conseguia, e eu era muito boa em subir em árvores, qdo cheguei lá no alto amarrei a sacola num galho. Foi qdo sei lá, o "capeta" me deu uma rasteira eu caí lá em baixo e logo depois a sacola caiu também!
Bom, eu já não sabia o que fazer com aquilo, aí sugeri que minha amiga fugisse de casa, afinal para nós, apanhar era um ótimo motivo pra sumir do mapa!
Taty ficou tão triste, ela ficava de cabeiça baixa, chorava, mas concordou.
Mas, e para onde nós iríamos? Sim, porque eu iria com taty se fosse preciso!
Começamos a andar pelo bairro com a sacola pendurada numa vara, igual uma trouxinha. foi quando achamos a casa de nossa professora de português, nós gostávamos muito dela. Aí entramos, contamos tudo para ela, ela nos mostrou uns papéis de carta, nós também colecionávamos, e quem coleciona sabe, a gente troca os repetidos com outros colecionadores por papéis inéditos, aí nós não aguentamos a tentação, para trocarmos com a professora teríamos que voltar para casa para termos a nossa coleção em mãos.
Foi quando decidimos voltar, mas ao chegar na casa de Taty, nossas mães já haviam chegado e estavam lá dentro.
Aí eu disse:
Ah vamos jogar nessa lixeira daqui mesmo e seja o que Deus quizer!
Nós estávamos com tanta vontade de trocar os papéis de carta com a professora que nem ligamos mais para o fato de termos quebrado um prato.
Nós entramos, ouvimos um sermão por termos saído sem avisar a ninguém mas ficou tudo bem.
Minha mãe me pegou e me levou pra casa.
No outro dia cheguei cedo na escola, doida para mostrar a professora meus papeis de carta e trocar com ela pelos que ainda não tinha.
Quando taty chegou estava triste, com a mesma cabeça baixa do dia anterior,eu só falava em trocar papeis de carta e ela só calada, ela não se contagiou com minha animação, Foi quando eu reparei alguns hematomas, os braços cheios de marcas roxas e eu conheci aquelas marcas, eram de mangueira de molhar jardim (eu também apanha com aquilo e graças a mãe da Taty que deu essa idéia pra minha mãe, mas essa é outra história). Então eu perguntei:
Taty, o que aconteceu, sua mãe te bateu?
E ela disse:
Sim.
Eu voltei a perguntar: Mas ela descobriu o prato quebrado na lixeira?
E Taty respondeu:
Não. Mas ela descobriu que quebrei o pratoporque vc esqueceu um caco no chão da cozinha e ela furou o pé!

A dona do marinheiro

Quem nunca aprontou umas travessuras na infância?
Sempre que fazíamos reuniões entre família e amigos, eu e minha irmã contávamos nossas pérolas da época de crianças e sempre arrancávamos altas gargalhadas.
Uma que fazia muuuito sucesso era da nossa viagem a Fortaleza.
Minha irmã era sempre muito nojentinha em matéria de higiene.
Numa tarde que estávamos na praia eu e Geisi (minha irmã mais velha que eu 2 anos) tomávamos banho no mar. A praia estava lotada de banhistas... todos se divertindo, quando de repente começaram a gritar porque havia um "marinheiro"  na água, o que para nós significava que alguém defecou enquanto banhava no mar!
As pessoas começaram a sair da água nadando rapidamente e correndo para a areia, e eu como todo mundo, saí o mais rápido que pude, corri até meus pais, que estavam embaixo de uma sombrinha, contei que havia fezes na água e meus pais perguntaram:
Cadê a Geisi?
Olhamos tudo em volta, inclusive para o mar e então avistamos minha irmã, mais longe que conseguia ficar da beira do mar e começamos a gritar para ela sair.
Ela foi se aproximando, saindo na maior tranquilidade.
Quando ela chegou até nós eu perguntei à ela:
Mana, vc é sempre tão nojenta, por que não saiu da água? Vc não sabia que tinha cocô no mar?
E ela na mesma tranquilidade respondeu:
Sabia, mas o cocô era meu!

O dia em que nasci de novo.

Esse fim de semana, em nosso bairro, um jovem rapaz, trabalhador, casado... enfim, suicidou-se.
Eu sempre fico chocada quando sei desse tipo de notícia, porque sinceramente isso já passou pela minha cabeça também. E isso não me parece muito coerente. Quando a gente evita uma rua escura tarde da noite, quando andamos atentamente pelo transito, quando saimos de uma festa assim que começa uma briga... todas essas situações são situações em que estamos tentando poupar a nossa própria vida e por que quando estamos insensatamente desesperados pensamos em exterminá-la?
Eu tive vários problemas na infância, eu soube que era adotada, que minha mãe biológica havia sido assassinada, eu fui uma criança extremamente sapeca (aliás, acho que vou fazer um blog para contar isso!), revoltada, agressiva e por isso apanhava bastante, e na adolescência sofri de bulimia, que na verdade perdurou até janeiro de 2010.
Enfim, eu tive muuuitos motivos para querer morrer, eu sofri de amores mal correspondidos ou não correspondidos, eu tinha dúvidas do amor que meus pais sentiam por mim, eu era negra, franzina e do cabelo "pinchain", não tinha o menor amor próprio. Eu achava que tinha todos os motivos do mundo para morrer, e até pensava: Por que minha mãe não me abortou???
Hoje eu sou mãe, e eu penso: eu tinha que sobrviver, eu tinha que fazer Francine nascer! O mundo precisava de uma criança assim, tão doce e especial quanto ela.
E nesse caos em que o mundo está, eu me redescobri, me notei uma pessoa totalmente diferente doque tracei a minha vida inteira e por amor, apenas por amor, como deve ser, eu nasci de novo.

terça-feira, 5 de abril de 2011

Eis algumas das coisas que aprendi na vida

Que não importa quão boa seja uma pessoa, ela vai feri-lo de vez em quando e você precisa perdoá-la por isto.


Que levam anos para se construir confiança e apenas segundos para destruí-la.


Que não temos que mudar de amigos se compreendemos que os amigos mudam.


Que as circunstâncias e o ambiente têm influência sobre nós, mas nós somos responsáveis por nós mesmos.


Que ou você controla seus atos, ou eles o controlarão.


Aprendi que heróis são pessoas que fizeram o que era necessário fazer, enfrentando as conseqüências.


Que paciência requer muita prática.


Que existem pessoas que nos amam, mas simplesmente não sabem como demonstrar isso.


Que algumas vezes a pessoa que você pensa que vai lhe dar o golpe mortal quando você cai, é uma das poucas que lhe ajudam a levantar-se.


Que só porque uma pessoa não o ama como você quer, não significa que ela não o ame com tudo o que pode.


Que nunca se deve dizer a uma criança que sonhos são bobagens: seria uma tragédia se ela acreditasse nisso.


Que nem sempre é suficiente ser perdoado por alguém. Na maioria das vezes você tem que perdoar a si mesmo.


Que não importa em quantos pedaços seu coração foi partido; “o mundo não pára, esperando que você o conserte”.

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